História de Angkor Wat

July 24, 2018

Angkor Wat (ou Angkor Vat) é um templo situado 5,5 km a norte da cidade de Siem Reap, na província homônima do Camboja. É o maior e mais bem preservado templo dos que integram o assentamento de Angkor. É também o único que restou com importante significado religioso - inicialmente hindu, e depois budista - desde a sua fundação. O templo é o ponto máximo do estilo clássico da arquitetura Khmer. É considerado como a maior estrutura religiosa já construída, e um dos tesouros arqueológicos mais importantes do mundo. Tornou-se símbolo do Camboja, aparecendo em sua bandeira e sendo sua principal atração turística. Em 14 de dezembro de 1992 foi declarado pela UNESCO Patrimônio da Humanidade.

 

 

Angkor Wat faz parte do complexo de templos construídos na zona de Angkor, a antiga capital do Império khmer durante a sua época de esplendor, entre os séculos IX e XV. Angkor abrange uma extensão em torno de 200 km², embora recentes pesquisas estimem uma extensão de 3 000 km² e uma população de até meio milhão de habitantes, o que o tornaria o maior assentamento pré-industrial da humanidade.

 

Assista o vídeo de Angkor em português

 

 

História

 

Foi construído pelo rei Suryavarman II, no começo do século XII, como o seu templo central e capital do seu reino. Desde a sua construção, e até o translado da sede real ao próximo Bayon, em finais do mesmo século, Angkor Wat foi o centro político e religioso do império. O recinto —entre cujos muros se calculou que viviam 20 000 pessoas— cumpria as funções de templo principal e, além disso, abrigava o palácio real. Dedicado inicialmente ao deus Vixnu, o templo combina a tipologia hinduísta do templo-monte —representando o Monte Meru, morada dos deuses— com a tipologia de galerias própria de períodos posteriores. O templo consta de três recintos retangulares concêntricos de altura crescente, rodeados por um lago perimetral de 3,6 km de comprimento e de uma largura de 200 m. No recinto interior erguem-se cinco torres em forma de loto, atingindo a torre central uma altura de 42 m sobre o santuário, e 65 m sobre o nível do solo. A palavra Angkor vêm do cambojano Nokor, e pela sua vez da voz sânscrito Nagara que significa "capital", enquanto a palavra Wat é de origem khmer e traduz-se como "templo". O nome de Angkor Wat é em todo caso posterior à sua criação, pois originalmente recebeu o nome de Preah Pisnulok; nome póstumo do seu fundador Suryavarman II.

 

Descobrimento 

 

 

Após o seu abandono em finais do século XVI, Angkor ficou sepultada pela selva, com a única exceção do templo de Angkor Wat, que permaneceu habitado por monges budistas. Ainda persiste a lenda de que Angkor Wat caiu no olvido até ser redescoberto em finais do século XIX pelo naturalista francês Henri Mouhot, encontrando o templo acidentalmente enquanto caçava borboletas. Esta história é um mito, pois Mouhot não foi o primeiro ocidental a visitar o templo, e este nunca foi completamente abandonado, permanecendo na memória coletiva do povo khmer e até mesmo transcendendo as fronteiras do seu império. A primeira visita documentada de um ocidental a Angkor Wat aconteceu em 1586 e foi realizada pelo freire capuchinho português António da Madalena. As impressões do freire foram recolhidas por um funcionário público e historiador português chamado Diogo do Couto, quem deixá-las-ia por escrito:“"... uma construção de tal modo extraordinária que não é possível descreve-la por escrito, especialmente é diferente de qualquer outro edifício no mundo. Possui torres, decoração e todos os refinamentos que o génio humano pode conceber."”.

 

Após esta visita, outros pioneiros europeus, especialmente espanhóis e portugueses, continuaram visitando as ruínas, embora sem repercussão pública. Também se tem registro de uma carta de 1668 na qual um freire francês de nome Chevreul menciona o local. O templo também recebeu visitas do oriente: o mapa mais antigo de Angkor Wat, datado entre 1623 e 1636, foi obra de um peregrino japonês de nome Kenryo Shimano. Em 1857, o missionário francês Charles Emile Bouillevaux foi o primeiro a deixar constância "moderna" da visita de um ocidental a Angkor Wat, ao publicar no seu livro Viagem à Indochina 1848–1856, os Annam e Camboja, uma breve resenha sobre a visita realizada ao templo em 1850. Mas não seria até 1860, que um compatriota seu, o naturalista e explorador Henri Mouhot, conseguiu por fim atrair a atenção popular para Angkor. Após uma viagem financiada pela Royal Geographical Society e a Zoological Society of London , os desenhos e a apaixonada descrição do templo registrados nos cadernos da viagem deste naturalista foram publicados postumamente em Paris em 1868, com o nome de "Voyage dans les royaumes de Siam, de Cambodge de Laos" (Viagem aos reinos do Sião, do Camboja e do Laos). Nas suas observações, o francês exaltava a beleza e magnificência do templo:“Um desses templos — rival do de Salomão, e erigido por algum antigo Michelangelo—, poderia ocupar um honorável lugar entre os nossos edifícios mais belos. É maior do que qualquer do nossos legados de Grécia e Roma, e apresenta um triste contraste com o estado de barbárie em que agora se encontra sumida a nação”Em 1863, entre a visita de Mouhot e a publicação dos seus cadernos de viagem, Camboja tornou-se protetorado francês, e vários grupos de exploradores chegaram a Angkor: um dos primeiros foi o fotógrafo escocês John Thomson, que trabalhou também para a Royal Geographical Society, e que após ler as crônicas de Mouhot decidiu visitar Angkor. Em 1866 realizou uma série de cinquenta fotografias, especialmente de Angkor Wat, publicadas um ano depois. Estas fotos, com o Livro de Mouhot, lançaram definitivamente à fama o templo de Angkor Wat, enquanto o número de viajantes e exploradores que chegavam em Angkor seguiu em aumento.     

 

Restauração

 

Em 1898 foi fundada a École Française d'Extrême-Orient visando estudar o patrimônio artístico da Indochina sob domínio francês. Em 1907 o Sião (a atual Tailândia) cedeu vários territórios ao Camboja, entre os quais se encontra a zona de Angkor. A partir deste fato a conservação dos monumentos passou a ser responsabilidade da École, a qual, um ano depois, iniciou os trabalhos de conservação. A tarefa foi encomendada a um militar e administrativo francês chamado Jean Commaille, que entre 1908 e 1910 decidiu concentrar os esforços em Angkor Wat. Após o assassinato de Commaille em 1916, este foi sucedido pelo arquiteto Henri Marchal, já um verdadeiro técnico, que levou a Angkor o método da anastilose, aprendido dos holandeses durante uma viagem a Java na década de 1930. Marchal foi sucedido por Maurice Glaize em 1937 e por outros mais tarde, até os trabalhos de restauração da École serem interrompidos na década de 1970 pela devastadora revolução dos Khmer Vermelho.

 

 

Em 1993, um ano depois da declaração de Angkor como Patrimônio da Humanidade e por causa de uma conferência intergovernamental em Tóquio, um Comitê de Coordenação Internacional foi estabelecido para restaurar e preservar o patrimônio de Angkor. Paralelamente, o governo cambojano criou a APSARA (Autoridade para a gestão e proteção de Angkor e a região de Siem Reap) com o objetivo de obter o status permanente de Patrimônio da Humanidade por parte da UNESCO; um status que se conseguiu em 1995.

 

Diversas equipas internacionais intervieram ou ainda continuam os trabalhos de restauração no templo, destacando-se as restaurações da esquina norte do muro oeste (iniciada em 1995) e da biblioteca norte.

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts em Destaque

Guía de habla hispana en Angkor, Siem Reap. Camboya

September 17, 2017

1/3
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Datas
Please reload

Reserva de Hotéis

Encontre aqui o hotel para sua viagem

Siga-nos
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square